sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ela vai estar sempre ali...

No encalço dos meus próprios passos, procuro sair dali o mais rapidamente possível sem deixar indicios de qualquer estadia, mesmo que temporária. Mas, olhando mais atentamente, reparo que deixei algumas pegadas e, voltando atrás, tropeço em algo que não estando ali dantes, me faz querer ficar…
Verifico então que no mesmo sitio onde outrora havia uma cadeira de balouço existem agora pequenos fragmentos de Madeira gasta e húmida e algumas beatas pelo chão…
Onde costumavam permanecer aquelas jarras colossais que alindavam tal ambiente nebuloso…repousam agora os cacos indefesos sem qualquer sinal de vida…persistindo também algumas folhas desmaiadas que fraquejaram daquelas plantas, caindo fulminadas sobre o chão.
De rosto cabisbaixo sinto-me subordinada àquela luz fosca que ilumina apenas o pior de mim evidenciando, portanto, os mais belos movimentos de algo que, não se sabendo o que é…se fazem sentir ardentes…como os de uma combustão…e queimam…e fazem arder…fazendo borbulhar nesta criatura o mais inocente dos Sentimentos…
Os copos de Cristal encontram-se no mesmo recinto de outros tempos. Só costumam ser utilizados em ocasiões especiais…deixando o seu brilho para aqueles que, possam porventura querer usufruir deles pelo menos uma vez por ano…é preocupante!
…Suspeito que foram anos a fio de brindes ocos em que apenas o copo festejava o simples facto de ter saído do armário!
Agita-se por ali um pequeno fôlego ameno de algo que não identifico… parece agradável…contudo incomum….
Aqueles cortinados antigos de cor gasta e odor estafado permanecem intactos, confiando àquele lugar uma expressão deveras enrugada…
Descendo silenciosamente de encontro à cave, reparo que o corrimão se encontra repleto de pó provocando em mim uma certa alergia que não sendo cuidada a tempo, provocará uma irritação constante…já constatada….
E subindo novamente...prestes a perder o alento e a fraquejar…encontro finalmente ao fundo de um longo e pálido corredor aquilo que mais procurava…a cadeira…
Rastejo até ela como se de um diamante em bruto se tratasse, visto que esta me faz mergulhar nas mais profundas memórias…e tentando apagar dela as palavras mais indigestas que lá estão cravadas...reparo que estas estão demasiado replicadas...
São palavras repetidas até ao mais ínfimo pormenor deixando nela a sensação de desconforto constante…e de relaxamento eminente...seja como for….
….Ela vai estar sempre ali…

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