segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Foi apenas um pacto, não ficou em testamento.


Há anos que o tremer das pernas se tinha escapado, levando consigo os suores frios e o palpitar frenético de quem quer chegar depressa a lugar nenhum. Chega-me aos ouvidos que o melhor vem assim que o fraco se vai. Ouço de relance que desistir não é palavra de ordem, mas sim, um “acautela-te que o pior ainda está pra vir”. A tormenta de uma gincana insana de emoções. O toque austero de um caminho longo e solitário em busca do pronome pessoal – eu, indefinido e definido por todos os que não acordam a soletrar as letras do meu abecedário. A existência tem disto. Considerei ingenuamente que o respirar esbaforido tinha desaparecido …mas voltou agora. Tomou a forma daquilo a que chamam…saudade. A minha saudade esteve de prevenção. Hoje, soou finalmente o alarme. Estava ensurdecedor. Fazia-me levar as mãos aos ouvidos em tom de carrasco. Tentei estender o prazo mas…brotou. Há coisas na nossa vida que não tendo um prazo de validade vão brotando. E outras, que brotam de vez em quando na nossa vida. As melhoras são aquelas que nos fazem brotar de felicidade, amor e generosidade. As melhores são aquelas que mesmo com prazo, fazem descolar em nós a mais forte das amarras. As melhores…são as que ficaram em pacto e não em testamento.” Eu consigo, se estiveres comigo”. “Eu não desisto, se estiveres comigo”. “Eu tenho forças, enquanto respirares comigo”. Pactuam-se frases de resistência e desejos cansados de esperar, sonhos mudos…que ficaram por realizar. Diz-se que é o tempo. Que as coisas têm o seu tempo. E se o tempo ficou por ser descoberto? Que nome se chamar a isso…senão tempo incerto…
Passaram cinco anos, desde que aquela se tornou a minha casa e agora tenho que partir. Não sou muito boa a despedir-me…
”…Assim nunca aprendes!”. Dizem que aprendemos quando os galos começam a doer. E se começam porventura todos a doer ao mesmo tempo? Diz-se que passamos a vida a aprender.
Aprendemos…
Que o quentinho afinal é bom…nos braços certos.
Que as coisas mais difíceis…são as que sabem melhor.
…Que do desconhecido vem a oportunidade…
…Que através dos olhos de um estranho… conheces a felicidade!
A vida é assim.
“Caminho ao teu lado em silêncio” disseram-me um dia com olhos doces…
Ri-me, gozei certamente, e pensei pra mim…”donde é que isto saiu?”
…Ainda hoje não sei a resposta…
Mas aprendi a dizer adeus.



1 comentário:

  1. Gosto muito...As considerações e reflexões são muito fixes...
    e isso é bom, estás a me libertar a mim também.

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