Nunca me questionei muito acerca daquilo que o Natal significa, talvez porque, eventualmente, não signifique grande coisa. Naquela terra sem nome as luzinhas cintilantes e intermitentes nunca brilharam durante muito tempo. Desde miúda que ponderei a triste hipótese de não haver Pai Natal. E pensando bem, como quase tudo na minha vida vem em pacotes extra…nem Pai…nem Natal. Fiquei sozinha? Obviamente que não. Na casa em frente à minha havia um velho e gasto telhado onde o ruído se fazia sentir a qualquer altura do dia. Quando me sentia só...espreitava o telhado...escusado será dizer que passei a vida à janela, a ver passar, tudo o que não passou por mim. Durante muito tempo quis muito que o meu Pai Natal em vez de um trenó e renas me chegasse a casa num barco. Afinal de contas, cada um sonha o que quer. Como tantos outros não se realizou. Não entendo porquê. Fiz sempre os trabalhos de casa, portei-me bem, fui sempre tão bem educada, esperta, inteligente, simpática. Se fui sempre aquilo que quiseram que eu fosse, porque razão não tive o único presente que queria pelo Natal? Foi aí, que comecei a acreditar num Natal cruel. Num Pai Natal castigador e malvado que me tirava sempre a única coisa que eu queria comigo. Foi também aí que descobri que afinal o meu Natal vinha com defeito. Enquanto os meus amigos tinham casa cheia, a minha não. Quero dizer...enchia, de facto, mas de tédio, de tristeza, de saudades…de sonhos deteriorados…
Sempre achei também que a Árvore de Natal dos meus amigos era mais radiosa e maior que a minha. Descobri depois que era por me sentir tão pequenina. Mesmo assim, depositava debaixo dela os meus pedidos, sonhos e desejos…anseios…gritos e devaneios, que mais uma vez ficaram a navegar na terra do Nunca…como tantas outras coisas. Sempre recebi muitos presentes palpáveis. Sempre tive grande parte das coisas que pedi. Mas como o meu Natal é defeituoso, por defeito, claramente, nunca tive parte das coisas com que sonhei. Mesmo assim, contrariando este sistema malévolo, nunca parei de sonhar.
As casas dos meus amigos tinham aquelas luzes que brilhavam da parte de fora. Aquelas que se viam a quilómetros de distância. Nunca pedi nada disso para mim. Pelo contrário. Pedi sempre daquelas luzinhas que brilham cá dentro, e que quando se acendem…são difíceis de apagar.
Cresci...cresci...e o Natal continua a ser tudo isto e mais alguma coisa. Continuo a não ter pachorra para chegar até à meia-noite e abrir presentes, continuo a não ter essa luzinha cá dentro que me aquece no Inverno, continuo a não ver o meu sonho realizado, continuo a comer à farta para que a noite passe mais depressa e, sobretudo, continuo a não ter a família reunida no Natal…
Ora…Tudo isto me deixa irrequieta e um bocadinho entristecida.
Agora dizer que não gosto do Natal? Não acreditem... Até porque adoro bolo-rei!
Minha linda :) :) gostei mt do texto! apesar de axar que está triste.... e por isso fiquei um pco sad... mesmo. axo o texto mm triste.. mas bonito!
ResponderEliminarNem sempre temos tudo o que queremos é verdade... infelizmente! Falas daquelas luzinhas que brilham cá dentro... tu propria.. já és uma LUZINHA! :) ai rapariga as vezes quando chego aí a casa desanimada tu poes-me logo a rir lol :P gosto muito de ti :) e ... Nao aprecio bolo rei xD
Tudo o que dizes, vem dentro de ti. Vem numa forma tão pura que só uma criança o conseguiria dizer. E talvez acredite que seja a tua criança a falar. Todos nós tivemos essa criança dentro de nós. O que te faz maior que os outros é que gradualmente a fomos calando até quase ela desaparecer. Menos tu! És Pura! O natal não vejo as prendas, não vejo o pai natal, nem vejo as respostas aos desejos. Mas sim uma altura para sonhar! E continua a sonhar, porque se continuares a sonhar, quem sabe tenhas o presente que tanto desejes!
ResponderEliminarEu tive um sonho uma vez. E ele já se concretizou! Esse sonho foste tu!
Obrigada :)E já que estamos a sonhar...quero um poney!
ResponderEliminarP.S - Também detesto bolo rei...mas o fim tinha que ser esse! ahahahah
ResponderEliminarÉ lindo este texto, adorei! Realmente o Natal já não é o que era naquele tempo em que não éramos nascidas. O meu natal também não tem alegria, e ao contrário de ti não tenho "inveja" das árvores enormes dos meus amigos, até fico feliz, ao contrário de ti, nem tenho árvore de natal nem luzinhas, nem um telhado à frente da janela do meu quarto onde poderia ver os meus desejos realizados ou não passarem, ao contrário de ti não peço os meus desejos ou sonhos. Tal como disse HP tens a tua criança dentro de ti, todos temos, mas infelizmente muitos não querem acreditar ou mostrar que ela ainda existe.
ResponderEliminarContinua assim SIMPLES como és...
Obrigada :)
ResponderEliminarOh meu deus ... eu derreto-me toda com estes comentários :P lol :')
ResponderEliminarBem...eu comecei a ler o primeiro texto e pensei "tenho de ler algo que ela tenha escrito, só assim poderei viajar realmente até á escrita dela" e sabes o que me apercebi? Eu não estava só a viajar até á tua escrita, eu estava a viajar pelas tuas emoções, pelo teu interior, pela tua pessoa que tanto me pareces transparecer aqui...mas devo dizer que adorei, e de certa forma...isto vicia lol :P agora comentando mesmo o texto em si...para o além de saber que escreves incontestionavelmente bem e tens algo que nos faz envolver como que se estivessemos a entrar num sonho.
ResponderEliminarÉ triste quando não temos a nossa familia reunida...eu proprio passei por isso uns bons anos(escolha propria) no entanto... não sei, os anos não ajudaram, é verdade, mas...pensa assim, isso certamente não será assim para sempre, nem que eu tenha de te convidar para um natal á antiga só para saberes o quanto é bom, e obrigar-te a esperares pela meia noite só para abrires algo que nem sequer sabes se é ou não palpavel :) sim, porque...o melhor do natal, é mesmo o seu espirito no activo...e isso é fenomenal, de qualquer das formas...haverão mais natais e estarei de olho em ti :P
PS:sorry pelo testamento =X (não escrevesses tão bem lol)
Haverão melhores, com certeza :)
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