domingo, 27 de junho de 2010

Estranha forma de Amar



Esgueirada sobre uma leve brisa de qualquer sentimento passageiro que por ali passou, suspiro pelos primeiros passos que podem acontecer a qualquer momento. É, apesar de tudo, uma bonita história de sobrevivência, orgulho e Glória.





Voltando então, à magnífica terra sem nome, reparo que se encontra tudo na mesma. As flores continuam murchas desde a última vez que me fui embora. Os cântaros estão abandonados. As pequenas plumas que esvoaçavam por ali, estão agora caídas entre as ervas daninhas que cresceram onde outrora havia uma longa planta de cheiro e cor brilhante.
Já ninguém rega nada. Calculo que seja por falta de tempo ou porque a água está cara, claro. Há muito que aquelas plantas deixaram de crescer, desde que enormes tempestades atacaram o nosso cais levando com elas tudo o que restava do único bocadinho de céu ali existente. Agora tudo o que subsiste são palavras amargas acompanhadas de uma subtil ironia que destrói a mais sensata criatura.
E não é por falta de água que isto acontece…
Tudo o que mais se ama precisa de ser regado e acarinhado como se, por magia, o Pôr-do-sol nos fizesse cócegas. Caso contrário aquilo que passa a acarinhar-nos será apenas mais um amanhecer…apático e desprendido de qualquer sentimento.
Esta terra sem nome, e as pessoas que lá vivem até aos nossos dias, tais como, poderosos Guerreiros que enfrentaram os mais medonhos vendavais, ou Rainhas airosas de uma força inabalável…continuam a não entender o significado da palavra “embalar”, e de tantas outras.
Pessoas que pelo seu estatuto passam por cima daqueles que consideram fracos, mas que na verdade, são mais fortes do que eles próprios, superando e vencendo aquele adoentado uso de um falso poder.
Não respeitam, não amam, não compreendem, não escutam, não embalam, não adoçam qualquer sopro indigesto. Contentam-se apenas com a acidez de coisa nenhuma.
É áspera e amarga esta estranha forma de amar.
Este sítio desperta em mim os sentimentos mais estranhos alguma vez sentidos pela minha pessoa. É um lugar enfadonho, irritável, severo, que provoca muitas vezes, senão a maior parte, uma indisposição constante. É complicado.
Costumo vestir roupa confortável, mas nesta terra, sinto-me presa por um espartilho que nem a dormir me dá descanso. E prende…e magoa…e faz arder os olhos demasiadas vezes. Como é antigo, e mo dão sempre para vestir quando lá chego, estando ele guardado no guarda-fato juntamente com as bolas de naftalina…faz arder os olhos…só por isso, claro.
Tento sempre desapertar um botão discretamente…sem que ninguém note, caso contrário, poderei ser injuriada em público. É uma forma muito comum de se resolver qualquer problema naquele sítio, mais propriamente, naquela casa.
As paredes daquelas casas suponho que se sintam ofendidas e censuradas mas não podem fazer grande coisa, senão ouvir…e também não falam. Suspeito, aqui só para nós, que tenham problemas de linguagem, tal como eu, preferindo portanto, tornar-se mudas e indiferentes. Têm uma desvantagem em relação a mim, não escrevem…como é que aguentam!
Ocasionalmente são pintadas para que ninguém repare naquilo que estava cravado nelas, e assim vão resistindo…tal como eu…que não sendo pintada, vou suspirando umas palavras soltas que saltam para aqui…
Sendo assim, escolham sempre um terreno fértil com água em abundância para que se possa sempre regar tudo com a mais admirável das essências, o Amor.
…O Amor aquece a alma a adoça a mais amarga miragem…
Enternece e comove…embala e chega até a remover…tudo aquilo que não sendo Amor …só nos faz sofrer…

4 comentários:

  1. O Amor é algo que nasce sem querer e só floresce por vontade prórpia...
    Aquece, sim, aquece... Mas apenas a quem quer sentir o seu calor, é magnífico o amor, é magnífico quando se ama de verdade...é magnífico quando se ama de verdade e esse amor é retribuído... retribuído da mais modesta forma, basta um olha...basta um olhar para se perceber que ele existe...
    Continuação ***

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  2. Raras são as vezes que temos a oportunidade de ver grandes mestres da arte e do pensamento, e agora somos presentiados à nossa frente com nada mais nada menos uma na nossa ERA!
    Vejo-me defrontado com sentimentos que não sentia há muitos anos, lembro-me de ver o primeiro quadro de picasso e ter ficado boquiaberto, lembro-me de ler as palavras de Platão "A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento " e ficar a pensar horas a fio sobre isso, lembro-me daqueles pequenos momentos em que conseguimos vislumbrar a perfeição. Posso dizer, que isto é um pequeno pedaço de céu! Acabo dizendo novamente palavras de Platão: Só pelo amor o homem se realiza plenamente!

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  3. Ai...Obrigada Huguinho :)

    És um exagerado...ahahhaha

    Beijinho*

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